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Morte de bebê meses após CRM constatar irregularidades em hospital é investigada em Araucária
Morte de bebê após o parto vira alvo de investigação em Araucária
A Polícia Civil do Paraná investiga se houve negligência na morte da bebê Lorena, cer
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Morte de bebê após o parto vira alvo de investigação em Araucária
A Polícia Civil do Paraná investiga se houve negligência na morte da bebê Lorena, cer...
24/02/2026 14:19
Morte de bebê meses após CRM constatar irregularidades em hospital é investigada em Araucária (Foto: Reprodução)
Morte de bebê após o parto vira alvo de investigação em Araucária
A Polícia Civil do Paraná investiga se houve negligência na morte da bebê Lorena, cerca de 48 horas depois do parto, que foi realizado no Hospital Municipal de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.
O local foi alvo de uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina (CRM/PR), em novembro de 2025, que apontou uma série de irregularidades – entre elas, o fato de a escala da equipe de obstetrícia estar incompleta.
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Lorena é a primeira filha de Genildo Alves de Moura e Larissa Diniz Ferreira. O casal esperava ansioso pela chegada da filha, com a casa preparada com berço, roupinhas e brinquedos. No entanto, Lorena não conseguiu ir para casa e morreu ainda no hospital, no dia 13 de fevereiro.
"O coraçãozinho dela estava muito fraco, a respiração estava muito fraca. Ela falou que era só para a gente se despedir dela, que ela não ia aguentar. Aí a gente conseguiu pegar ela um pouco no colo. Eu pedi desculpa para ela, porque eu não consegui fazer nada. Eu me sinto culpado um pouco", disse o pai, emocionado.
"Ela morreu no meu colo", lamentou a mãe.
Genildo e Larissa esperavam ansiosos pela chegada da filha
RPC
As anotações na carteirinha e nos agendamentos de consultas e exames indicam que Larissa tinha uma gravidez de risco. A auxiliar de produção teve diabetes gestacional, que foi controlada nos primeiros meses. Além disso, infecções urinárias recorrentes também geravam riscos, segundo o que os médicos informaram aos pais.
Genildo e Larissa foram para o hospital na manhã do dia 10 de fevereiro, depois de 41 semanas de gestação. Com medicação, os médicos tentaram induzir o parto normal. O parto não evoluiu e o casal afirma ter solicitado uma cesariana, mas foram informados de que a intervenção seria arriscada e a cirurgia não foi feita.
No dia seguinte, depois da mudança de plantão, por volta das 10h, a médica que assumiu o atendimento decidiu fazer a cesariana.
"Fizeram a cesárea e a neném já nasceu praticamente sem vida. Eu estava assistindo o parto e não consegui ouvir choro. Eu vi a neném praticamente desacordada. Uma outra médica falou: 'Olha, pai, a sua nenê engoliu muito mecônio e a gente teve que reanimar'. Ela nasceu praticamente sem oxigênio nenhum. Eu caí no choro", relatou o pai.
➡️ O mecônio é o primeiro cocô do bebê. Normalmente, ele é eliminado nas primeiras 12 a 48 horas de vida. A presença antes do parto pode indicar estresse fetal. O mecônio aspirado causa irritação química e inflamação (pneumonite) dos pulmões e aumenta o risco de infecção pulmonar.
Larissa Diniz Ferreira esperava ansiosa pela chegada da filha
Arquivo pessoal
Depois da morte de Lorena, Genildo registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil. O delegado Gabriel Fontana, responsável pelo caso, solicitou ao hospital os registros do atendimento ao hospital e informou que pretende ouvir testemunhas.
"Chegando o prontuário médico, o material vai ser analisado. Também vamos convocar as eventuais testemunhas que se fizerem necessárias para as oitivas e o médico que atendeu a esse parto. Todo esse material em conjunto vai ter que ser levado a uma perícia técnica para que se possa chegar a uma conclusão, se houve um erro médico, um erro na conduta profissional que acabou realizando esse parto", detalhou.
Lorena no colo do pai
Arquivo Pessoal
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Irregularidades no hospital e mudança na gestão
O Hospital Municipal de Araucária é uma instituição pública de médio porte, referência regional em urgência e emergência, maternidade de alto risco e suporte intensivo adulto e neonatal.
Uma fiscalização do CRM, feita em novembro de 2025, apontou que o hospital estava com graves falhas no que se referia à estrutura física, recursos humanos e insumos e equipamentos.
Entre as 27 irregularidades constatadas na fiscalização, o CRM apontou que a escala da equipe de obstetrícia estava incompleta. A escala de pediatria também estava incompleta, inviabilizando assistência em UTI e sala de parto.
Segundo o documento do CRM, os médicos que trabalham no local e os pacientes atendidos estavam "expostos às limitações e riscos decorrentes da péssima estrutura e condições para exercer a Medicina".
"Foram problemas principalmente de ordem estrutural. Deficiência em algumas condições de trabalho, seja de iluminação, seja até mesmo de ambiente adequado e também a deficiência de recursos humanos, principalmente a falta de médicos para fechar a escala de plantonistas em todos os setores", detalhou Carlos Felipe Tapia Carreño, gestor do Departamento de Fiscalização do Exercício Profissional do CRM.
Depois da constatação, o Hospital Municipal de Araucária foi notificado para resolver os problemas, ou apresentar um planejamento para as soluções em até 90 dias. Caso contrário, a instituição pode ser interditada. O prazo se encerra em março.
Em nota, a Prefeitura de Araucária informou que a Organização Social responsável pela gestão do hospital foi substituída depois da fiscalização do CRM.
"Desde 1º de fevereiro de 2026, o Hospital Municipal de Araucária passou a ser administrado pela Organização Social S3 Gestão em Saúde, vencedora do processo de concorrência pública, com contrato firmado pelo período de 12 meses e aporte mensal de R$ 6,9 milhões para custeio integral da operação hospitalar", informou a prefeitura.
Segundo o município, o novo contrato prevê o reforço do corpo clínico, aquisição de equipamentos e melhorias estruturais.
Em relação à morte de Lorena, a prefeitura lamentou e disse que solicitou à S3 Gestão em Saúde, responsável pela gestão do hospital, o relatório detalhado do atendimento. Disse ainda que todos os óbitos infantis são apurados por comissões técnicas específicas.
A S3 Gestão em Saúde disse que o atendimento foi conduzido por equipe multiprofissional, que adotou todas as medidas assistenciais indicadas para o quadro clínico apresentado ao nascimento. Disse ainda que está à disposição para oferecer apoio à família.
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Casa da família estava preparada para receber a bebê
RPC
Leia a íntegra do posicionamento da Prefeitura de Araucária:
"A Prefeitura de Araucária, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, vem a público prestar esclarecimentos acerca do indicativo de interdição ética emitido pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) ao Hospital Municipal de Araucária (HMA), em novembro de 2025.
O relatório de vistoria nº 3171/2025, realizado em novembro de 2025, apontou falhas estruturais, administrativas e insuficiência de profissionais médicos à época sob gestão da Organização Social Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS).
Diante do cenário identificado e considerando o prazo de 90 dias concedido pelo CRM-PR para regularização, a atual gestão municipal adotou medidas imediatas e estruturantes.
Em 10 de dezembro de 2025, foi formalizada a notificação de intenção de rescisão contratual unilateral com a OS IDEAS, sendo a rescisão efetivada em 31 de janeiro de 2026. Desde 1º de fevereiro de 2026, o Hospital Municipal de Araucária passou a ser administrado pela Organização Social S3 Gestão em Saúde, vencedora do processo de concorrência pública, com contrato firmado pelo período de 12 meses e aporte mensal de R$ 6,9 milhões para custeio integral da operação hospitalar.
Com relação aos apontamentos do CRM-PR:
Reforço do corpo clínico: Na nova contratação, foram ampliadas as escalas médicas e incorporados profissionais conforme as recomendações constantes no relatório técnico, especialmente nos setores considerados essenciais, garantindo maior segurança assistencial e adequação à demanda.
Aquisição de equipamentos: Está em fase final o Pregão nº 63/2025, que contempla a aquisição dos equipamentos indicados como insuficientes no relatório de fiscalização, assegurando a plena regularização estrutural e assistencial da unidade.
Melhorias estruturais: Já está em andamento a reforma do telhado do hospital, além do levantamento técnico para elaboração do projeto de reforma completa da unidade — a primeira intervenção estrutural ampla em quase 18 anos.
A Secretaria Municipal de Saúde permanece adotando todas as providências necessárias para a adequação do Hospital Municipal às normativas técnicas, sanitárias e éticas vigentes, reafirmando o compromisso com a segurança dos pacientes, dos profissionais de saúde e com a qualidade da assistência prestada à população de Araucária.
É importante destacar que os desafios enfrentados pelo Hospital Municipal não são recentes e refletem fragilidades históricas do modelo de gestão por Organizações Sociais adotado ao longo dos últimos anos. Diante disso, a atual gestão já iniciou estudos técnicos para avaliação de um novo modelo de gestão para o HMA, processo que, por responsabilidade institucional, deverá tramitar mediante projeto de lei, com apreciação da Câmara Municipal, análise do Tribunal de Contas, manifestação do Conselho Municipal de Saúde (COMUSAR) e demais instâncias de controle.
A Prefeitura de Araucária reitera que todas as medidas administrativas cabíveis estão sendo adotadas com responsabilidade fiscal, transparência e estrito cumprimento da legalidade, tendo como prioridade absoluta a continuidade e o fortalecimento do atendimento à população."
Leia a íntegra do posicionamento da S3 Gestão em Saúde:
"A S3 Gestão em Saúde manifesta profundo pesar pelo óbito neonatal ocorrido no Hospital Municipal de Araucária e expressa sua solidariedade à família, reconhecendo a dor imensurável deste momento e reafirmando seu respeito e empatia diante da perda.
Desde a ocorrência, a instituição encontra-se integralmente mobilizada e colaborando com a Secretaria Municipal de Saúde e com todas as instâncias técnicas responsáveis pela apuração do caso, prestando os esclarecimentos necessários com transparência e responsabilidade.
O atendimento foi conduzido por equipe multiprofissional habilitada, que adotou, de forma imediata, todas as medidas assistenciais indicadas para o quadro clínico apresentado ao nascimento, incluindo suporte avançado de reanimação neonatal, encaminhamento à Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e instituição de terapêuticas intensivas conforme os protocolos assistenciais vigentes.
Em conformidade com a legislação aplicável e com os fluxos institucionais de segurança do paciente, os óbitos maternos e infantis são submetidos à análise técnica por comissões específicas, incluindo a Comissão de Revisão de Prontuários, a Comissão de Óbito e a Comissão de Investigação de Óbito Materno e Infantil. A S3 já iniciou a elaboração do relatório técnico detalhado solicitado pela Secretaria Municipal de Saúde, fundamentado nos registros assistenciais e documentais do atendimento, contribuindo ativamente para uma avaliação criteriosa e isenta dos fatos.
A S3 Gestão em Saúde possui trajetória consolidada na gestão de serviços públicos de saúde, orientada pelo compromisso com a assistência segura, a humanização do cuidado e o fortalecimento contínuo da qualidade dos serviços prestados à população. Esse compromisso norteia, diariamente, a atuação de nossas equipes e reafirma nossa responsabilidade permanente com a vida, a ética e o cuidado integral às pessoas atendidas.
A instituição reafirma seu compromisso com a qualidade assistencial, a segurança dos pacientes, o cuidado humanizado e a melhoria contínua dos processos, permanecendo à disposição das autoridades sanitárias para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Neste momento de profunda sensibilidade, a S3 se une em respeito e solidariedade à família, aos profissionais envolvidos e à comunidade, reiterando que todo o processo seguirá, rigorosamente, os ritos legais, técnicos e sanitários aplicáveis.
Reiteramos tratar-se de uma perda irreparável. A S3 permanece à disposição para oferecer acolhimento e apoio à família, na medida de suas competências e dos encaminhamentos institucionais e contratuais cabíveis, reafirmando seu compromisso com o cuidado humanizado, o respeito e a responsabilidade diante de situações de tamanha sensibilidade."
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