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17/04/2026 19:18
Homem suspeito de inventar órgão do governo federal para aplicar golpes é preso no Paraná (Foto: Reprodução)
Suspeito de enganar instituições há seis anos é preso no Paraná
A Polícia Civil prendeu, nesta sexta-feira (17), Evandro Dal Molin, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele é suspeito de inventar um órgão federal para aplicar golpes em empresários, ONGs, prefeituras e câmaras municipais.
O homem se apresentava como presidente do "Marco da Criança e do Adolescente". No cartão de visitas dele, constam o brasão de armas do Brasil e o nome do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O cargo e o órgão, porém, não existem.
Para dar credibilidade à mentira, o homem publicava, nas redes sociais, fotos no Congresso Nacional, em Câmaras Municipais e ao lado de autoridades. Ele chegou a dar entrevistas para portais falando sobre a suposta atuação do "Marco da Criança e do Adolescente".
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Procurado pela RPC, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que não existe "qualquer vínculo funcional, contratual ou institucional do sr. Evandro Luiz Dal Molin com o Ministério". Disse ainda que não existe, na estrutura regimental, nenhum órgão, programa ou iniciativa denominada "Marco da Criança e do Adolescente".
As investigações apontam que Evandro construía relacionamentos para ter influência pública. A polícia descobriu também que ele cobrava valores para a liberação de verbas públicas para ONGs e outras instituições. Porém, as quantias nunca eram recebidas pelas vítimas.
Em nome do "Marco da Criança e do Adolescente", o homem reconheceu diversos prefeitos como "Prefeito Amigo da Criança", destacando gestões que supostamente contribuíram para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a infância.
Em nome do 'Marco da Criança e do Adolescente', o homem reconheceu diversos prefeitos como "Prefeito Amigo da Criança"
Reprodução/Redes Sociais
"O que nós vemos é uma manipulação de contexto. Então ele se aproveitava de eventual sessão pública, de qualquer evento político, e levava um assessor para fazer imagens dele. A partir disso, ele modificava o contexto daquela imagem. Ele fazia com que parecesse que ele de fato fosse uma autoridade convidada", detalha a delegada El Santos de Freitas Cavalcanti.
Ele é investigado pelos crimes de estelionato, falsificação de documentos e usurpação de função pública — quando uma pessoa finge ser servidor público e pratica atos como assinar documentos como se fossem oficiais. A polícia suspeita também de lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, os crimes eram cometidos, pelo menos, desde 2020, em várias cidades do Paraná e também em outros estados.
Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de contas e o sequestro de bens.
Durante o interrogatório, ele permaneceu em silêncio. A advogada de Dal Molin afirmou que não teve acesso ao processo e, por isso, optou por não se manifestar.
Evandro Dal Molin se apresentava como presidente do 'Marco da Criança e do Adolescente', órgão que não existe
Reprodução/Redes Sociais
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R$ 350 mil de prejuízo
Evandro Dal Molin se apresentava como presidente do 'Marco da Criança e do Adolescente', supostamente vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
Reprodução/Redes Sociais
Até esta sexta-feira, a polícia tinha ouvido cinco vítimas. O prejuízo delas soma cerca de R$ 350 mil. Há ainda a suspeita de que existem mais vítimas que ainda não procuraram a polícia.
Em um dos golpes aplicados, Evandro Dal Molin prometeu à liderança de uma ONG R$ 25 mil para a realização de um evento da instituição. O dinheiro, porém, nunca foi enviado.
"Duas semanas antes do evento, conforme ele disse que o valor estaria na conta, liguei novamente [para ele]. Ele prometeu que, dois dias antes do evento, o dinheiro estaria na conta. Chegou o dia e o dinheiro não caiu na conta", relata.
Outro golpe apurado pela polícia envolvia a suposta compra de carros que seriam alugados para o Governo Federal e dariam um retorno alto.
"Eu ia receber uma parcela mensal de R$ 8 mil por mês de aluguel desses carros. Depois a gente descobriu que era tudo mentira, não existe", conta um homem que foi vítima do golpe.
Advocacia-Geral da União solicitou retirada das menções ao Ministério
No cartão de visitas do investigado, constam o brasão de armas do Brasil e o nome do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
Reprodução
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que, assim que tomou conhecimento da utilização indevida das referências do órgão em páginas e materiais divulgados pelo investigado, adotou providências administrativas e encaminhou o caso à Advocacia-Geral da União (AGU).
A AGU informou que solicitou a remoção de todas as publicações em que havia o Brasão de Armas ou qualquer outro símbolo ou referência à República Federativa do Brasil.
Nesta sexta-feira, diversas publicações que antes estavam no perfil do homem já não estavam mais disponíveis.
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