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12/05/2026 00:01
Delegada investiga se música cantada por mulher motivou 'clima de tensão' com o marido antes de acidente que matou ela e a filha, no PR (Foto: Reprodução)
Marido que estava com esposa e filha em carro que caiu em rio do Paraná é preso
A Polícia Civil (PC-PR) está investigando o que aconteceu antes do acidente que matou Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e a filha dela, Maria Laura Roman Talaska, de três anos.
No início deste mês, elas foram encontradas mortas em um carro submerso que caiu no Rio Paraná, em Porto Rico, no noroeste do Paraná. A queda do carro no rio foi filmada. Assista acima.
A investigação da Polícia Civil apontou que, durante uma confraternização à noite, houve um "clima de tensão" entre Iria e o marido, Márcio Talaska, de 38 anos.
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Segundo a delegada Iasmin Gregório, duas testemunhas informaram que ela escolheu uma música sobre traição, o que teria feito o marido deixar o local sem se despedir. Em seguida, a família foi embora.
"Esse fato é considerado como linha de motivação do crime", afirmou a delegada.
A polícia desconfiou que o acidente poderia se tratar de um crime quando descobriu que Márcio mentiu ao dizer em depoimento que era Iria quem dirigia o carro e que ela se perdeu no caminho. Márcio foi preso preventivamente no dia 8 de maio, em Nova Londrina. Entenda abaixo.
Conforme apurado nas investigações, o casal foi até Porto Rico para visitar o filho e aproveitou para ficar em uma confraternização na cidade, segundo a delegada. O carro com a família caiu no rio depois que eles deixaram a festa. Márcio foi o único que conseguiu se salvar.
Leia mais: Quem eram mãe e filha encontradas mortas dentro de carro submerso em rio do Paraná
Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska foram encontradas mortas dentro de um carro submerso no Rio Paraná.
Reprodução/Redes Sociais/PC-PR
Iasmin também esclareceu que laudos apontaram que mãe e filha morreram afogadas, o que confirma a hipótese de que elas ainda estavam vivas quando o carro caiu no rio. Ela também afirmou que não havia registros anteriores de violência doméstica entre o casal.
Conforme a delegada, Márcio é investigado pelo crime de feminicídio — pela morte da esposa — e homicídio — pela morte da filha. Ela informou que aguarda o resultado de outros laudos para concluir o inquérito policial.
A defesa de Márcio Talaska informou que ainda não teve acesso integral aos autos, mas adiantou que vai tentar reverter a prisão. Veja abaixo a nota na íntegra.
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Reconstituição de trajeto
O caso aconteceu por volta das 22h30 de 2 de maio. De acordo com o Corpo de Bombeiros, as equipes acessaram o carro durante a madrugada do dia 3 e retiraram mãe e filha sem vida. No mesmo dia, os bombeiros e policiais civis retiraram o carro do rio.
Segundo a polícia, Márcio prestou depoimento e disse que era a esposa quem estava dirigindo o veículo e que ela se perdeu no caminho. Contudo, durante a investigação, testemunhas disseram que foi ele quem dirigiu o carro durante todo o trajeto.
Essa informação foi confirmada depois que a polícia reconstituiu o caminho percorrido pela família, a partir de pelo menos 23 imagens de câmeras de segurança.
Mãe e filha morrem ao cair em rio no Paraná
Reprodução/RPC
A delegada disse que não foi possível confirmar que a pessoa que estava dirigindo o carro estava perdida, como dito no depoimento por Márcio. Isso porque o trajeto percorrido pelo veículo durou cerca de oito minutos, de forma linear.
"Não havia uma postura ali do casal de perguntar onde seria a saída da cidade, não teria nenhuma evidência através das câmeras de monitoramento de que esse casal teria perguntado, pedido algum tipo de ajuda e perguntado a saída da cidade.[...] Com todos esses elementos, há indicativos de que o masculino teria cometido tal fato de forma proposital", disse a delegada.
As imagens também mostram o momento em que o carro acessa a rampa e cai no rio. Conforme a delegada, Márcio conseguiu sair com facilidade do carro e demorou cerca de um minuto e meio para pedir ajuda.
As vítimas foram sepultadas na segunda-feira (4), no Cemitério Municipal de Nova Londrina.
Posicionamento da defesa
"A defesa de Márcio Talaska vem a público manifestar sua irresignação diante da decretação de sua prisão preventiva. Até o presente momento, a defesa não teve acesso integral à decisão judicial, tampouco aos elementos de prova que teriam fundamentado medida tão grave e excepcional. Por essa razão, qualquer análise mais aprofundada será realizada assim que a defesa tiver conhecimento completo dos fundamentos utilizados para justificar a segregação cautelar. É necessário registrar que Márcio encontra-se profundamente abalado, emocionalmente destruído pela tragédia que vitimou sua esposa e sua filha. Trata-se de um homem que, além de enfrentar uma perda irreparável, agora se vê privado de sua liberdade antes mesmo de ter acesso pleno aos elementos que sustentaram essa decisão. A defesa respeita as instituições, mas entende que a prisão preventiva, por sua natureza excepcional, deve estar sempre amparada em fundamentos concretos, atuais e devidamente demonstrados, não podendo servir como resposta automática à comoção pública ou à gravidade abstrata dos fatos. Diante disso, serão adotadas todas as medidas jurídicas cabíveis para impugnar a decisão e buscar a imediata revogação da prisão preventiva, com o restabelecimento da liberdade de Márcio. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário do Estado do Paraná, na serenidade da Justiça e na certeza de que, com acesso integral aos autos e ao contraditório, será possível demonstrar a arbitrariedade da medida e obter a restituição de sua liberdade."
Infográfico - Local onde carro com mãe e filha mortas foi encontrado submerso no Rio Paraná, em Porto Rico.
Arte/g1
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