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PF faz operação contra corrupção eleitoral em São Miguel do Iguaçu A Polícia Federal afastou cinco servidores da prefeitura de São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, durante uma operação realizada nesta terça-feira (10). A medida foi determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná após investigação que apura ameaças contra a ex-candidata à prefeitura Rejane Christ (União) e suspeitas de compra de votos nas eleições municipais de 2024. ✅ Siga o canal do g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp Os servidores foram afastados por180 dias, com perda de salário. Entre eles estão servidores que ocupavam cargos de chefia em áreas como sinalização viária, iniciação esportiva e a Secretaria de Viação, além de uma servidora da área da saúde responsável por agendar consultas e exames. Os nomes dos servidores não foram divulgados pela Polícia Federal. Segundo a polícia, além dos afastamentos, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. Durante as buscas, os agentes apreenderam celulares, computadores, documentos e uma arma de fogo com munições. Servidores de São Miguel do Iguaçu são alvos de operação da Polícia Federal Polícia Federal Em nota, a prefeitura de São Miguel do Iguaçu afirmou que não recebeu comunicação oficial da Polícia Federal ou da Justiça Eleitoral sobre a operação até o momento e disse que não teve acesso ao conteúdo da investigação. Leia também: 'Ele não venceu': Sobrevivente de tentativa de feminicídio que está escondida perde formatura, mas envia carta à cerimônia Economia: Produtora diz que perdeu 30 toneladas de tilápias e teve prejuízo de R$ 250 mil após oscilação de energia Entenda: Aquário a 700 km do mar que importa sal de Israel tem estoque e diz que conflito no Oriente Médio não afeta operação Ameaças contra candidata Ex candidata a prefeita foi alvo de ameaças Polícia Federal A operação investiga ameaças e perseguições contra a ex-candidata à prefeitura Rejane Christ, do União Brasil, durante a campanha eleitoral de 2024. De acordo com as investigações, a candidata foi alvo de ameaças de morte, perseguição de veículos e emboscadas durante o período eleitoral. "Os ataques foram desde ameaças veladas e mensagens intimidatórias, tendo como primeiro grande incidente a entrega de um bilhete, acompanhado de uma bala de revólver, numa tentativa clara de me constranger e forçar minha desistência da candidatura. Depois, evoluíram para perseguições e tentativas de emboscada", disse Rejane ao g1. Em um dos episódios, ela recebeu um bilhete com a frase “Desista, professorinha” acompanhado de uma bala de revólver. Ela contou que, apesar do medo e da intimidação, não desistiu do pleito eleitoral. No entanto, por causa das ameaças, a segurança da candidata foi reforçada e houve aumento do efetivo policial durante o período da eleição. Suspeita de compra de votos A Polícia Federal também apura indícios de compra de votos e uso indevido da estrutura da prefeitura para beneficiar aliados políticos. Segundo os investigadores, há suspeita de liberação irregular de consultas e exames médicos em troca de apoio eleitoral, além de nomeações para cargos comissionados ligadas ao esquema. Policiais realizaram 11 mandados de busca e apreensão Polícia Federal Os investigados podem responder por corrupção eleitoral, violência política de gênero, associação criminosa armada e transporte irregular de eleitores. Somadas, as penas podem chegar a 18 anos e 6 meses de prisão, segundo a PF. Violência política de gênero é crime desde 2021 A operação acontece no ano em que a Lei nº 14.192/2021, que criminaliza a violência política de gênero, completa quatro anos. A norma alterou o Código Eleitoral e estabeleceu mecanismos para prevenir, reprimir e combater a violência contra mulheres no exercício de seus direitos políticos. A legislação também garante a participação de mulheres em debates eleitorais e prevê punição para a divulgação de informações falsas ou vídeos inverídicos durante a campanha. Desde a criação da lei, até o ano de 2024, o Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero (GT-VPG), vinculado ao Ministério Público Federal (MPF), recebeu 215 denúncias em todo o país — uma média de seis por mês. Os casos envolvem ofensas, transfobia, agressões físicas, violência psicológica, moral e sexual. Mulheres que sintam vítimas de violência política de gênero podem denunciar os episódios por meio do canal oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Levantamento mostra que 43% das mulheres sofrem violência de gênero na política Mulheres ainda enfrentam barreiras Mesmo representando 51% da população paranaense, as mulheres seguem sub-representadas na política local. Das 399 cidades do estado, 72% (287 municípios) não elegeram nenhuma mulher para o cargo de prefeita desde o ano 2000, segundo dados do TSE. Em 2020, apenas 9% (37) prefeitas foram eleitas no Paraná. Em 2024, as mulheres representaram 13% das candidaturas e o número pleitos permanece o mesmo, apenas 9% (36) foram eleitas para os cargos de chefia do Executivo municipal. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.